Afinal, para Aurora, morrer não foi um evento trágico, mas o último grande dia de uma vida bem aproveitada.
O que você achou dessa perspectiva sobre o ? Se quiser, podemos explorar como seria o encontro de Samuel com alguém que ainda não está pronto para partir.
Eles passaram as horas seguintes não falando do fim, mas do "durante". Samuel contou que o seu trabalho não era apagar luzes, mas sim fechar livros que já tinham contado histórias maravilhosas. Ele explicou que a morte não é o oposto da vida, mas o limite que dá a ela um valor infinito. A morte Г© um dia que vale a pena viver
Quando o sol começou a se pôr, tingindo a sala de um laranja suave, Aurora suspirou.— Estou pronta. Mas antes, me diga: o que vem depois vale tanto a pena quanto o que ficou?
Naquela terça-feira, ele tinha um encontro marcado com Dona Aurora, uma senhora de 82 anos que passava as tardes conversando com suas samambaias. Quando Samuel atravessou a parede da sala, ela não gritou. Apenas ajeitou os óculos e disse:— Você demorou. O café já está quase frio. Afinal, para Aurora, morrer não foi um evento
A morte não era uma figura encapuzada com uma foice, mas sim um homem de meia-idade chamado Samuel, que usava sapatos confortáveis e carregava um caderno de couro desgastado.
Aurora segurou a mão dele. O corpo dela permaneceu na poltrona, com um meio sorriso nos lábios e o livro entre os dedos. Ela e Samuel caminharam em direção à luz da janela, não como quem foge da vida, mas como quem celebrava que cada segundo de sua existência tinha valido, verdadeiramente, a pena. Eles passaram as horas seguintes não falando do
— É a mais pura verdade — respondeu Aurora. — Passei o dia revivendo tudo. O cheiro da chuva na casa da minha avó, o frio na barriga do primeiro beijo, o cansaço bom de ver meus filhos crescidos. Se eu não soubesse que você viria, esses momentos seriam apenas rotina. Mas, porque você vem, eles viraram tesouros.